Ela é a solidão dentro de nós que se torna manifesta e destrói não apenas a conexão com outros, mas também a capacidade de estar em paz consigo mesmo. Traz consigo a tristeza, a perca de interesse, o choro, a insônia, vazio, angustia, pensamentos negativos, como que se aos poucos a pessoa estive desistindo da vida. Essas palavras e atitudes são bem conhecidas no dicionário de quem pode estar sofrendo pelo Transtorno do Humor mais conhecido do mundo a Depressão. Qualquer pessoa pode apresentar sintomas compatíveis com a Depressão sem, no entanto, estar deprimida. Alguém que, tenha acabado de perder um ente querido sofrerá e refletirá todos os sentimentos, emoções e pensamentos de uma pessoa com depressão sem, no entanto, estar deprimida. Assim, estar triste por motivos óbvios (a morte do pai, por exemplo) e estar triste por conta da Depressão são coisas diferentes.

Fenômeno amplamente estudado tem bases explicativas na multifatorialidade, podemos melhor compreender a Depressão levando em consideração o quadrilátero BIO-PSICO-SOCIO-ESPIRITUAL. Um desequilíbrio químico é a hipótese biológica mais prevalente assim, as bases explicativas estão assentadas nos neurotransmissores das vias Serotoninérgica (Serotonina), Noradrenérgica (Noradrenalina) e Dopaminérgica (Dopamina). Existem vários tipos de Depressão que vão desde a Depressão com características Psicóticas à Depressão Pós-parto.

Lidar com essa doença psiquiátrica também é lidar com a dor. A dor é a nossa primeira experiência de desamparo no mundo, e ela nunca nos deixa existe uma expressão Russa que diz: se você acorda sem sentir nenhuma dor, é porque está morto e dessa forma não nos resta outra alternativa senão, aprender a lidar com esse evento indesejável, mas, muito normal e comum. Imagine uma dor no dente ele pode chegar aguda e permanecer até que alguma providência seja tomada (avaliação odontológica, medicação, repouso e etc.) após tomadas as medidas de controle a situação se acomoda em pelo menos uma hora. A dor na depressão tem características diferentes não cessa tão rápido mesmo que você vá ao Psiquiatra, Psicólogo, inicie o tratamento medicamentoso e etc. esse talvez seja o lado mais obscuro e difícil da depressão a impressão de fracasso causada após inúmeras tentativas de “cura” e com o passar do tempo você percebe que as coisas ficam mais difíceis a sensação mais prevalente a sensação do NADA.

Estudos longitudinais apontam perfis específicos com predisposição para o florescimento da Depressão. Imersos no tecido social seres humanos que lidam reiteradas vezes com mortes, traições, percas, desemprego, as diversas formas de violência, frustrações tem probabilidade aumentada para o desenvolvimento da Depressão. Algumas pessoas imaginam que, por estarem tristes estão deprimidas outras acham que Depressão é o fim do mundo, há quem diga que é um castigo de Deus. Algo de suma importância e que vem sendo feito de formas inadequadas é o diagnóstico.

Para uma enfermidade complexa, incapacitante e as vezes letal o diagnóstico diferencial é condição sine qua non para um bom prognóstico. Esse diagnóstico é mais difícil do que se imagina e na pratica nem todos os profissionais estão habilitados e preparados para este tipo de avaliação. Os pacientes perguntam aos médicos, aos psicólogos ou aos psiquiatras o tempo inteiro: “Estou deprimido?”, como se o resultado pudesse ser obtido através de uma exame do sangue. O Inventário de Depressão de Beck (teste psicológico) é amplamente utilizado na investigação da intensidade dos sintomas depressivos mesmo assim o teste sozinho não é suficiente para formular a hipótese terapêutica.

Mesmo estando na era da nanotecnologia, com as tecnologias da informação e da comunicação, tendo o advento do DR. GOOGLE e tantas outras ferramentas as pessoas ainda postergam sua ida ao profissional de saúde e neste interim buscam os chás, os conselhos de um amigo, as caminhadas, a orientação espiritual e tantas outras possibilidades. Não estamos dizendo com isso que essas possibilidades devem ser descartadas muito pelo contrário são utilizadas como tratamento complementar mas não são o tratamento de primeira escolha. O tratamento para a Depressão é multiprofissional e interdisciplinar associado a psicoterapia (acompanhamento psicológico), acompanhamento com médico Psiquiatra, farmacoterapia (medicações).

A Seguir trago relatos de um dos melhores livros que falam sobre o assunto no mundo O DEMÔNIO DO MEIO-DIA escrito pelo Norte Americano Andrew Solomon relata experiências e descreve de forma precisa um dos fenômenos mais estudados na atualidade, a Depressão. O autor relata a experiência que teve ao visitar o Camboja ele cita “Todo adulto que conheci no Camboja havia sofrido traumas externos que teriam levado a maioria de nós à loucura ou ao suicídio. Fui ao Camboja para me tornar mais humilde diante da dor dos outros e me curvei até o chão”.

Cinco dias antes de deixar o país, encontrei-me com Phaly Nuon, ela foi tirada de sua casa com o marido e os filhos. Seu marido foi enviado para um lugar desconhecido, e Phaly não tinha ideia se fora executado ou continuava vivo. Ela foi colocada para trabalhar no campo com sua filha de doze anos, o filho de três e o bebê recém-nascido.  Após alguns meses, foi despachada para outra localidade junto com sua família. Durante a transferência, um grupo de soldados amarrou-a a uma árvore e a obrigou a assistir sua filha ser violentada pelo bando e depois assassinada. Alguns dias depois, Phaly Nuon foi levada com alguns outros trabalhadores para um campo fora da cidade. Amarraram suas mãos atrás das costas e ataram suas pernas unidas. Depois forçaram-na a se ajoelhar e amarraram-na a uma vara de bambu, fazendo com que se inclinasse para a frente num campo lamacento, de modo que suas pernas tivessem que ficar tensas ou ela perderia o equilíbrio. A ideia era que, quando finalmente caísse de exaustão, ela afundaria na lama e, incapaz de se mover, se afogaria. Seu filho de três anos gritava e chorava a seu lado. A criança fora amarrada a ela para se afogar na lama quando a mãe caísse: Phaly Nuon mataria seu próprio filho.

Hoje Phaly Nuon cuida de mulheres que, como ela vítimas da guerra tem dificuldades para recomeçar, atua em um centro comunitário e da palestras motivacionais. É surpreendente perceber que, quando tudo parece estar perdido vemos que ainda podemos seguir adiante e nesse momento o exercício da FÉ pode nos dar uma força extra para os obstáculos intransponíveis. Quantas Phaly’s temos no mundo? Qual o tamanho do teu sofrimento? Você já falou com alguém sobre como se sente? Não espere que as tempestades da vida te destruam procure ajuda.

 

 

Por: Psicólogo Charles Farias

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