Foto ilustrativa

O anúncio do corte de 30% no orçamento das universidades federais e dos IFS, Institutos Federais  do país, além da má repercussão por todo Brasil, tem gerado várias polêmicas. Isto porque, o anúncio, primeiramente, se deu em 30 de abril de 2019, onde o ministro da educação ao conceder uma entrevista ao Jornal O Estado de São Paulo, anunciou o corte de verbas de três universidades federais específicas: UFF, UFBA e UNB, sob justificativa de promoção de balbúrdia e baixo desempenho. Houve imediata reação, as três universidades rebateram as afirmações do então ministro e muitas outras instituições, criticaram essa atitude e pronunciamento e somente mais tarde o governo anuncia que o corte seria indistinto para todas as universidades federais e IFS.

Posteriormente, no dia 07/05, em uma audiência na Comissão de Educação no Senado, o ministro Abraham Weintraub, falou que na realidade se faria um contingenciamento e não cortes e que haveria o retorno da liberação dos recursos caso a reforma da previdência fosse aprovada ou se a economia do país melhorar no segundo semestre, afirmando ainda, que o bloqueio não atinge a totalidade das verbas, apenas uma parte, que o corte seria apenas sobre a parte discricionária e que, segundo o governo, foi aplicado sobre gastos não obrigatórios, como água, luz, terceirizados, obras, equipamentos e realização de pesquisas mas que a folha de pagamento e  o refeitório dos alunos estariam integralmente preservados, pois segundo ele, são despesas obrigatórias.

Dois dias depois em um vídeo publicado nas redes sociais utilizou 100 chocolates para tentar explicar o percentual de 30% do corte, separando 3 chocolates e meio que estavam sobre a mesa, em uma enorme gafe, dando mais um motivo para duras críticas.

Diante dos fatos supracitados são notórias muitas das intenções do governo federal ao anunciar o corte de verbas para as universidades federais e IFS. São muitas as contradições em torno dos acontecimentos e elementos que os compõe. Se o suposto motivo inicialmente apresentado pelo ministro como justificativa para o corte de verbas das três primeiras universidades anunciadas (UFF, UFBA E UNB) fosse  realmente a “balbúrdia”, certamente a penalidade se restringiria aquelas universidades com as supostas práticas.

Na hipótese de  baixo desempenho destas universidades o mais prudente para um governo interessado em alavancar a qualidade e o despenho educacional,  não seria cortar verbas e sim pelo menos  fazer um diagnóstico, sequenciado de maiores investimentos para tentar solucionar a suposta problemática de baixo desempenho; afinal, se estas universidades são tão mal referenciadas, nos questionamos o porquê  da concorrência ser tão grande para conseguir uma vaga nas universidades federais do país, disputada inclusive pelas  pessoas de todos os níveis socioeconômicos.

Se a necessidade dos cortes são justificadas pela crise econômica e financeira do pais, de fato não seria um episódio de mérito deste governo, a diferença consiste na forma agressiva como um ministro de Estado, anuncia uma medida desta envergadura, tentando, antes de tudo, justificar penalidades a serem impostas, em razão de supostas falhas de comportamento, desqualificando instituições que promovem a pesquisa cientifica, o conhecimento e o desenvolvimento do país, colocando automaticamente em cheque o nome e a reputação direta e indiretamente de todas as pessoas que fazem parte desta instituição sejam elas: professores, funcionários ou alunos.

Um outo fator que chama a atenção é a intenção expressa de utilizar os cortes, como moeda de barganha, quando é dito, “que haveria o retorno da liberação dos recursos caso a reforma da previdência fosse aprovada e se a economia do país melhorar no segundo semestre” situações como estas isenta de qualquer interpretação de sérias intenções por  medidas efetivadas nestas circunstâncias.

Dentre outros questionamentos e avaliações dos fatos que envolvem a forma como se deram os cortes de verbas para estas universidades. Faremos menção ainda dos boatos gerados pelo próprio governo de desistência dos cortes e depois por 2 vezes, de desistir da desistência, em uma sequência sucessiva de erros que demonstram falta de finalidade, objetividade e total despreparo.

 

Mencionaremos também a forma agressiva, como o governo federal ao ser questionado sobre a greve nacional da educação, realizada dia 15/05, com mobilizações e atos públicos em mais de 200 cidades do pais, incluindo todas as capitais, ele chama os participantes do movimento de “idiotas úteis, que estão sendo usados como massa de manobra” desconsiderando o sistema democrático que rege o país, onde a liberdade de expressão é um direito de qualquer cidadão assegurado pela Carta Magna brasileira e que ao se pronunciar desta forma, sobrepõe-se o desprezo aos movimentos sociais da população e inflama os educadores e alunos deste pais, que lutam para assegurar uma educação de qualidade socialmente referenciada, laica, gratuita e plural.

 

Por: Marilândia Alecrim dos Santos

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