Foto: arquivo pessoal do historiador

Domingo 28 de julho de 2019, comemoramos 139 anos de Emancipação Política Administrativa, do Município de Campo Formoso, BA. Neste período nosso Município, obteve bom crescimento socioeconômico, mas perdemos muito do nosso Patrimônio Histórico-cultural. Nesta matéria iremos relatar a perca de um destes Patrimônio, que o Município não teve a devida responsabilidade na sua preservação.

Nos anos 40 Campo Formoso, teve seu primeiro cinema que se chamava Cine Associação e pertencia ao Sr. Alberto Marques da Silva, funcionava em prédio alugado, aonde hoje fica à agencia do Bradesco, o curioso é que as pessoas tinham que levarem seus assentos, cadeira ou banco. No aos 50 encerou suas atividades.

O prédio do Cine- Teatro Santo Antônio, que existia em nossa cidade, foi construído com recursos da Paroquia local e inaugurado em 1952, neste período era Pároco de nossa Matriz, o padre alemão Frei Ernesto Roite. O prédio do cinema ficava aonde hoje está localizado o Hotel Rio das Pedras. Ao lado esquerdo do cinema tínhamos uma sorveteria e a quadra da UJA (União da Juventude em Ação).

Historiador ao lado do dentista José Veras (Foto: arquivo pessoal do historiador)

Inicialmente funcionou sob administração dos padres franciscanos, entretanto por volta de 1960 o Sr. José Veras Irmão, conhecido por Sr. Josa Dentista, passou a gerenciar o funcionamento do cinema; foram adquiridas novas maquinas de projeção cinematográfica, novas cadeiras foram compradas, instalação de uma cantina, banheiros, aquisição de novo gerado de energia e outros melhoramentos. As sessões aconteciam com frequência nos sábados e domingos.

O saudoso Benigno Moreira da Cunha era o projecionista responsável pelo os dois projetores analógicos que se revezavam – enquanto um rolo era projetado, o outro era carregado. Os filmes, chegavam de Salvador, até nossa cidade de trem e antes de serem exibidos passavam por censura previa dos padres franciscanos. O cartaz eram fotos do filme colocadas num quadro de madeira, que ficava exposto ao lado do armazém do Salomão Galvão de Carvalho, na Praça Luiz Viana; geralmente este cartaz era levado pelo jovem na época, Antônio Godinho de Carvalho, nosso conhecido Antônio do Elizeu, houve período em que o Zito Veras, com um fusca e som precário fazia a propaganda dos filmes, pelas ruas da cidade.

Quando as internas do Colégio Nossa Senhora de Fátima ou do Ginásio Augusto Galvão acompanhadas com freiras (Colégio) o do censor (Ginásio) vinham assistirem uma sessão o auditório aumentava de público com rapazes que vinham com o devido respeito paquerar estas moças oriundas de diversos Municípios da Bahia. E como eram bonitas! Doces recordações! Dentro do cinema era proibido fumar, a segurança ficava a cargo do zeloso policial José Moises de Carvalho, o Zé Calangro, que sozinho resolvia tudo.

Além dos filmes tínhamos no cinema à apresentação de organizadas peças teatrais, diversos cantores de renome nacional apresentaram-se no grande palco do nosso majestoso cinema, como: Jerry Adriani, Zé Roberto, Waldick Soriano, Agnaldo Timóteo, Luiz Gonzaga, Adilson Ramos, José Augusto e outros.

Foto:  historiador José Carlos

Filmes, que lembramos, e, lotaram as 280 cadeiras existentes; E o Vento Levou, (Elenco, Vivian Leigh, Clark Gable e Olivia de Havilland), Doutor Jivago, (Elenco, Omar Shari, David lean e Julie Christie), Ao Mestre, com Carinho, (Elenco, Barbara Pegg, Sidney Poitier e Judy Geeson) Matar ou Morrer, (Elenco, Gary Cooper, Grace Kelly e Katy Jurado) Juventude Transviada (Elenco, James Dean, Nicholas Ray e Sal Mineo) Bem-Hur e outros. Os filmes que vinham na época eram produzidos pela Paramount, Metro-Goldwyn-Mayer (abertura clássica o leão rosnando).

Os filmes de cowboy, como vibrava de emoção o Gregório, espectador assíduo, filho do Sr. Pedro Apolinário da Silva, também chamado de Pedro Doido. O Sr. Quinininho, era o primeiro a chegar no Cinema e o ultimo a sair, pois sempre cochilava e tinha que ser acordado no final da sessão.

“E o Vento Levou,” perdemos no final dos anos 80 o prédio do nosso cinema, foi vendido, depois demolido, se foi mais um imóvel de nosso Patrimônio Histórico. Ah! Rua do Cais de encontro e desencontros. Ah! Que saudades me dá!

 

Por: historiador José Carlos Martins

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