Ocorreu nos dias 3, 4 e 5 deste mês o V Encontro do Movimento Pedagógico Latino-americano realizado pela Internacional da Educação para América Latina (IEAL) com a participação da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e do PROIFES (Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico). A abertura ficou a cargo de uma grandiosa apresentação cultural da Orquestra de Música Popular Brasileira da UFPR (Universidade Federal do Paraná), que apresentou um espetáculo de alto valor simbólico que representa a própria valorização da educação pública, um pouco  de “balbúrdia” para animar a alma dos educadores.

A professora Fátima Silva da CNTE saudou a todos dizendo: “Hoje, nesse ato emocionante, damos as boas vindas aos 12 países presentes e aos mais de 500 participantes, e reafirmamos nosso compromisso de continuar lutando pelo direito de produzir cultura, de incentivar a ciência e de lembrar que a nossa terra não é plana”, fazendo referência ao movimento conservador “terraplanista” que tenta refutar conceitos comprovados pela ciência.

Já Sonia Alesso, Secretária Geral da CTERA da Argentina disse que “mais que nunca, temos que garantir nossa presença nas ruas e sustentar a luta pedagógica pelo conhecimento. Essa luta contra o neoliberalismo e o fascismo vai exigir toda a nossa coragem para garantir a liberdade de nossos povos”, e completou. “Força, América Latina! Força, professores e professoras! Viva a classe trabalhadora! Viva os trabalhadores e trabalhadoras em educação!”

Pelo PROIFES, o presidente Nilton Brandão  mencionou a importância da união entre os setores da educação . “Graças à nossa luta e a toda solidariedade internacional, podemos estar aqui unidos aos que querem construir uma sociedade melhor. Estaremos juntos na luta pelo FUNDEB, mas essa luta também passa pelos projetos que atacam a educação superior, que visam a privatização da educação buscando o fim da autonomia das universidades. É fundamental somar forças e nos levantarmos contra os ataques à educação”, disse.

Heleno Araújo, presidente da CNTE, destacou que o Encontro é instrumento de luta e organização para a categoria. Ele defendeu uma visão sistêmica para a educação das séries iniciais até a pós-graduação, com mais acesso dos cidadãos às escolas e às universidades públicas. “Temos que construir caminhos e alternativas coletivas, iluminados pelas ideias do patrono Paulo Freire. Viva a nossa luta, viva a classe trabalhadora! Seremos vitoriosos!”, conclamou.

O representando a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Raimundo Oliveira falou sobre a importância de debater a educação com companheiros e companheiras do mundo todo. “A educação é o viés para o mundo mais justo e para a sociedade melhor e igualitária que queremos”, afirmou.

Pelo Fórum Nacional Popular da Educação, Andréa Gouveia, afirmou que, do ponto de vista da formação e dos desafios para a construção de uma carreira, é fundamental estar em sintonia com todas as organizações que estão construindo o Movimento Pedagógico, desde a base. “Não há democracia sem educação e não há educação se ela não for libertadora. Calar o Movimento Pedagógico Latino-americano é querer dominar o pensamento crítico e isso não devemos permitir”.

O representante da  UEN – Noruega, Rune Fimreite, afirmou. “Me inspira muito esse caminho e objetivo comum que encontramos no Movimento Pedagógico para fortalecer a voz dos nossos professores e professoras. Estamos na linha de frente nessa luta por temas ameaçados pelo conservadorismo como os direitos humanos, os valores democráticos, o pensamento crítico, o agravamento da crise climática e a educação. Além disso, nos preocupam os processos de privatização e mercantilização, a violência, e a questão dos refugiados e dos povos indígenas. Paulo Freire dizia que a educação tem que ser libertadora, e acredito que a única forma de assegurar nossa liberdade está no Movimento Pedagógico”, defendeu.

A organização LARARFORBUNDET da Suécia também se fez presente, seu representante Joakim Olsson, falou sobre sua satisfação em acompanhar a evolução do Movimento Pedagógico. “Sempre é impressionante testemunhar esse trabalho gigante sendo desenvolvido. Poder apoiar financeiramente esse projeto recarrega as nossas baterias, e nos faz entender de uma vez por todas que devemos nos permitir sonhar e ter utopias”.

Sobre a temática geral

A fala inicial do Encontro foi feita por José Batista Neto, mestre em História pela Universidade Federal de Pernambuco e doutor em Ciências da Educação pela Universidade Paris V – René Descartes. Batista Neto compõe o Centro Paulo Freire Estudos e Pesquisas por isso focou em uma explanação sobre a importância de resgatar os valores dos pensamentos do patrono da educação para enfrentar a atual conjuntura. “A educação não será nunca um ato individual, só pode ser construída na coletividade, é um processo social e, portanto, de construção solidária que tem a humanização como perspectiva”, enfatizou.

Para finalizar defendeu quea relação educativa humanizada é uma verdade que precisa ser reafirmada no Brasil e em toda a América Latina para retomarmos os rumos da justiça social e da solidariedade entre os povos.

O V Encontro do Movimento Pedagógico Latino-americano foi finalizado com uma mesa de muita qualidade encerrando o evento com as presenças do Secretário Geral da IE – Internacional da Educação David Edwards e de Hugo Yasky presidente da IEAL –  Internacional da Educação para a América Latina. Depois de 2 dias de discussões muito qualificadas sobre a educação e o movimento sindical na região foi realmente marcante ter no momento final estas presenças de peso imensurável.

Fonte/Fotos: SISE

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