Foto ilustrativa

Atualmente, o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. Diante desse fato, é preocupante o uso “desenfreado” dos agrotóxicos nas plantações. Segundo Veiga (2007), A agricultura praticada no Brasil pode ser caracterizada pela dependência da utilização de agrotóxicos, pois o consumo destes insumos é crescente no país.

Vale destacar que os agrotóxicos foram desenvolvidos com o objetivo de eliminar pragas e doenças que atacam as plantações. No entanto, a utilização destes agrotóxicos de uma forma contínua e sem os devidos cuidados traz graves consequências na contaminação do meio ambiente e causa muitos problemas na saúde dos aplicadores e dos consumidores.

Nesse sentido Grisolia (2005), diz que o uso indiscriminado de agrotóxicos pode acarretar inúmeros problemas para o meio ambiente, contaminando o ar, a água, o solo causando a morte de animais e plantas. Estas substâncias podem deslocar-se no ambiente através dos ventos e da água da chuva para locais distantes de onde foram aplicados.

Dessa forma, os agrotóxicos representam perigo para todos os seres vivos. Conforme Grisolia (2005), quando ingeridos pelo ser humano, os agrotóxicos podem acarretar graves intoxicações no seu organismo. Os inseticidas clorados causam lesões em certos órgãos e em doses mais elevadas podem causar a morte. Já os inseticidas fosforados podem causar o aumento na transpiração e na salivação, fortes dores no abdome, diarreias e vômitos. Os inseticidas que apresentam carbono em sua constituição, utilizados nas lavouras no combate aos pulgões, podem causar a morte mesmo em pequenas quantidades. Os herbicidas em pequenas doses são capazes de causar danos nos músculos e problemas respiratórios. Os fungicidas podem causar câncer.

Por tanto, outros estudos mostram os malefícios que os agrotóxicos causam na saúde humana, como problemas neurológicos, motores e mentais, distúrbios de comportamento, problemas na produção de hormônios sexuais, infertilidade, puberdade precoce, má formação fetal, aborto, doença de Parkinson, endometriose, atrofia dos testículos e câncer de variados tipos.

Mas, afinal, porque os agricultores mesmo sabendo dos riscos para o meio ambiente e para saúde humana insistem em usar os agrotóxicos em suas lavouras? Na concepção de Veiga (2003), tanto os grandes proprietários de terra, quanto os pequenos agricultores, optam pela utilização destes insumos na agricultura, no intuito de atingir altas produtividades na lavoura. A maior parte dos produtores e trabalhadores rurais considera que a produção agrícola é inviável sem a ausência de agrotóxicos.

No sentido de regulamentar e fiscalizar o uso dos agrotóxicos, a legislação é de suma importância. Porém, no Brasil o Projeto de Lei 6.299/2002, conhecido como PL do Veneno, traz sérias e perigosas flexibilizações no registro, produção, comercialização e uso de agrotóxicos no país.

O número de agrotóxicos liberados vem crescendo. Para O Greenpeace “44% dos novos produtos registrados são altamente ou extremamente tóxicos”, “28% dos novos produtos já foram banidos ou não são permitidos pela União Europeia” e que “mais de 10% dos produtos misturam ingredientes ativos, sendo que estas misturas não são avaliadas pelo órgão”. Além disto, existem novos produtos contendo glifosato e também fipronil e imidacloprido, substâncias responsáveis por mortes de abelhas.

Nesse contexto, o alerta está ligado. E se o fim do uso de agrotóxicos está ainda longe de acontecer é notório que tem que diminuir o uso dos mesmos. E a esperança é que os agricultores tenham a sensibilidade e incentivo para fazer a transição do modelo convencional de agricultura para a produção de orgânicos. Pois, diante desse cenário atual. Será por quanto tempo conseguiremos sobreviver comendo à tantos venenos?

Referências Bibliográficas 

GRISOLIA, Cesar Koppe. Agrotóxicos – mutações, reprodução e câncer. Brasília; editora Universidade de Brasília, 2005.

VEIGA, M.M. Agrotóxicos: eficiência econômica e injustiça socioambiental. Ciência e Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 12, n. 1, p. 145-152, mar. 20VEIGA, M. M. Et. Al. Análise da contaminação dos sistemas hídricos por agrotóxicos numa pequena comunidade rural do Sudeste do Brasil. Cad. Saúde Pública. Rio de Janeiro, v.22 n.11, p. 2391-2399, nov. 2006.

 

Por: bióloga Gervânia Ribeiro

Compartilhar :

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor digite seu nome aqui

20 − catorze =