Foto: arquivo pessoal do historiador José Carlos

O Próximo encontro do grupo de Lampião com a polícia e volantes da Bahia foi em setembro de 1933, em Campo Formoso. O que vamos relatar neste episódio, foi com base em depoimento do Sr. Pedro Ferreira da Silva, residente em Poços, que nasceu na fazenda Serra Branca, próximo do Pouso Alegre e trabalhou por mais de 50 anos na referida fazenda com a família Torres; e ouviu do seu saudoso patrão Cazuza Torres, como se desenrolaram os fatos. Segundo Pedro Onça, Lampião acompanhado de mais 14 cabras estavam na fazenda Pouso Alegre há cerca de 3 dias e se acoitaram numa ponta de mata fechada, que neste período arvores de grande porte como: O Cedro, o Louro, o Jacarandá, o Amargoso a Massaranduba e outros, cobriam grande parte do enorme latifúndio.

Cazuza ao chegar de Senhor do Bonfim foi com alguns vaqueiros na fazenda Serra Branca, buscar um boi ladrão que estava entrando no roçado de alguns agregados. Ao retornar para a sede da fazenda Pouso Alegre, foi ao o curral que ficava próximo olhar uns bezerros separados; Lampião, inesperadamente acompanhado de 3 cangaceiros apareceu a pé, se encostando nos mourões do curral, e bateu com um punhal na sela de um cavalo dizendo;
– Seu Cazuza oi eu! O Susto de todos foi enorme.

Refeito do choque, Cazuza convidou Lampião para se dirigirem para casa que ficava a alguns metros do curral. Os cangaceiros sentaram-se num banco de madeira no alpendre do casarão da centenária fazenda, enquanto o fazendeiro sentou-se numa cadeira de palhinha tipo espreguiçadeira. Lampião notou que a perna direita dobrada, sobre a esquerda do Senhor Cazuza ainda calçado com as botas e as perneiras de vaqueiro, tremia aceleradamente o que foi percebido pelo Capitão Virgulino.
– Seu Cazuza o Sr. Tá tremendo? Tá doente? Perguntou Lampião.
– Ora Capitão receber sua visita assim de surpresa não há homem que não fique nervoso, sentenciou Cazuza.
– Pois fique tranquilo! Eu com meus meninos estou arranchado por aqui fazem alguns dias e estou precisando do seu apoio. Estamos cansados e com fome e precisamos passar uns 15 dias na sua fazenda, mas não vou lhe dar prejuízo não.
– Que dia o senhor vai para cidade do Bonfim seu Cazuza, pois preciso que o senhor faça umas compras para mi? Cazuza respondeu que iria no outro dia. Lampião pediu que o mesmo fosse no local onde eles estavam acoitados, para, pegar a relação das compras e o dinheiro. No outro dia cedo, Cazuza acompanhado do administrador da fazenda conhecido por Manoel dos Santos, foram na direção onde estavam os cangaceiros. Depois de baterem conforme combinado três vezes numa arvore, Lampião subitamente apareceu de fuzil em punho, acompanhado de 2 cabras e os conduziram até onde se encontravam o restante da cabroeira.

Lampião passando o pé direito diversas vezes no chão, limpou e, convidou Cazuza para sentar.
– Sente-se Coronel o assento é baixo mais é seguro! Todos acomodados o Capitão Virgulino, puxou enorme punhal da cintura que quase não termina de sair da bainha, fato que chamou atenção do Coiteiro Cazuza que comentou;
– Capitão que punhal enorme? – Grande e perigoso Coronel! – respondeu Lampião. Colocando o cabo do punhal no chão com a ponta da lâmina voltada para cima, o Cangaceiro, ficou limpando as unhas das suas mãos.

Lampião retirou de um bornal, papel e caneta e relacionou as compras. Perguntou se na cidade de Bonfim tinha algum relojoeiro bom e entregou um relógio todo em ouro para que fosse feita uma limpeza. Do mesmo bornal tirou um maço enorme de notas de dinheiro e passou para o Coronel Cazuza Torres, que salientou que ali tinha dinheiro demais.
– Lampião retrucou -Não se preocupe, vamos precisar de abater uns dois garrotes bons dos seus, pois tamos sem carne e vamos fazer uma carne de sol para levar. Não se preocupe sobrando a gente acerta.

Encomendou também balas de fuzil, onde ouviu do fazendeiro, que não era possível, pois na cidade tinha algumas tropas de forças pernambucanas, homens muitos desconfiados, principalmente um tal de sargento Manoel Neto.

Breve publicaremos a continuidade deste acontecimento na parte II. Onde teremos:
1 -Tentativa de Envenenamento do Cangaceiros.
2- Troca de tiros e mortes em Pouso Alegre.

Por/ Autor: José Carlos Martins
E-mail: Jotacarlosmo@gmail.com

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