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Apesar de ser uma realidade muito comum, as pessoas não percebem que a vida humana, a vida animal e a vida vegetal obedecem a um ciclo de existência que pode ser facilmente definido em poucas palavras: nascer, crescer, reproduzir e morrer.

Com as coisas ocorre a mesma obediência a esse ciclo, Você constrói uma casa, desfruta dela por muitos anos e no final, mesmo com as intervenções que você faz, essa casa envelhece e precisa ser renovada ou até mesmo reconstruída.

Uma bola de futebol ou de qualquer outra atividade esportiva, também é assim. A bola é fabricada, isto é, nasce, é utilizada em muitos jogos, se desgasta e chega ao seu fim. Acaba. E assim por diante.

As atividades humanas obedecem a esse ciclo de existência e na política não é diferente, porque Grupos Políticos nascem, muitos crescem, reproduzem suas propostas de Poder e de ideologia e declinam até acabar ou ficar sem muita importância.

Esses grupos podem ressurgir em outro momento e aí há o renascimento, ou o recomeço de um novo ciclo, nos levando a perceber que o PODER percorre essa trajetória de surgir, crescer, reproduzir e decair e até acabar.

O Império Romano é um grande exemplo dessa trajetória, desse ciclo existencial: nasceu, cresceu, dominou o mundo da sua época, começou a definhar e morreu. Acabou.

Com os Grupos e Partidos Políticos e Ideológicos não é diferente.

Só para pegar um exemplo contemporâneo, temos a história dos Partidos Políticos e Ideologias Partidárias conhecidas como conservadoras, também chamadas de Partidos e Ideologias de Direita, ou mesmo as de esquerda.

Esses partidos e ideologias de direita tiveram uma ascensão gigantesca no Império Brasileiro e cresceram mais ainda com o advento da República Velha e se mantiveram poderosas na República Nova, dominando a política nacional até os anos 50, culminando com a ameaça de sucumbência na ordem política de então, com o crescimento dos movimentos socialistas/comunistas que começaram a ganhar força e foram destituídos do PODER com a chamada Revolução Militar ou Golpe Militar de 64.

Os partidos de Direita retomaram o fôlego e dominaram a partir de 64 a política brasileira, até o final dos anos 70 e início dos anos 80, quando começaram a perder força, ao tempo que os partidos de esquerda começaram a crescer, fazendo, inclusive,  nascer o PT – Partido dos Trabalhadores, nos anos 80. Aliás, o PT elegeu prefeitos a partir da eleição de 2000, alcançando as seguintes marcas: 2000, 174; 2004, 400; 2008, 557; 2012, 644; 2016, 256 e 2020, 183 (quase igualando os 174 de 2000. Uma queda substancial.

E a esquerda, liderada pelo PT, cresceu durante 20 anos até alcançar o Poder Nacional em 2002, com a eleição de Lula, mantendo-se no Poder por quase 20 anos até a queda de Dilma, tornando possível a descoberta da rede de corrupção que foi montada ao longo do exercício de poder da esquerda, tendo como líder e chefe, o ex-presidente Lula.

Nesse tempo os Partidos de Direita quase desapareceram, enquanto o PT atraía cada vez mais Partidos de menor expressão, que se agregaram como verdadeiros coadjuvantes, a exemplo do PCdoB, PDT e outros dissidentes do próprio PT, o PSol.

O Democratas (DEM), que é originário da antiga ARENA, da época do bipartidarismo com o velho MDB, mudou de nome para PDS (Partido Democrático Social), PFL (Partido da Frente Liberal), chegou a cogitar numa fusão com outros partidos ou até mesmo dissolver-se há oito anos atrás, ganhando novo ânimo com a eleição de ACM NETO para prefeito de Salvador e outras conquistas em outros estados.

Nas eleições deste ano, o DEM e outros partidos de Direita, ou de centro-direita cresceram de forma expressiva, enquanto o PT e seus aliados definharam, tendo o partido lulista definhado significativamente nos últimos oito anos, saindo de pouco mais de 600 prefeituras no país em 2012 para pouco mais de 250 em 2016 e pouco mais de 160 nas eleições deste ano.

Aí da para perceber como o ciclo de existência se fecha e se abre à medida que o tempo passa.

Aqui em Senhor do Bonfim (Bahia), o PT, depois de três tentativas, chegou ao PODER em 2000, com a adesão dos “carcarás” (miguelistas), desgarrados do líder Miguel Abrão e órfãos de Jonas Costa (falecido no meio do mandato de prefeito) e se manteve crescendo até 2021 chegar a encerrar um ciclo de 12 anos com a eleição do ex-prefeito Correia, que só ficou no poder durante quatro anos de uma desastrosa administração, que fez trazer de volta ao poder, o PT, que também não fez boa administração e o povo mudou, dando fôlego ao DEM local, que volta ao Poder depois de 20 anos fora.

Fechou-se, portanto, o ciclo petista, abrindo-se mais uma vez o ciclo candista (fechado com a vitória petista em 2000), que não desapareceu com a morte do seu último grande líder, Cândido Augusto Martins. Como dizem os “jacus” tradicionais: “Jacú’ (apelido dos candistas) não acaba, porque quando morre um, nascem cem”, como profetizou Laércio Muniz (pai do atual prefeito), “jacú” de quatro costados, como dizem os mais velhos.

Por isso que Correia errou ao dizer que “Jacús” não mais existiam e que na sua época era a “Família 19”, em alusão ao seu PTN, que morreu como ele próprio sucumbiu ao deixar a “jacuzada” e numa jogada suicida, decidiu apoiar a Professora Gorete, que viu definhar o seu apoio popular para cerca de menos de um terço da votação que teve em 2016, sem o apoio de Correia e de outros políticos. Aliás, cantei a pedra antes do jogo, quando disse que a união era maléfica para ela e não deu outra.

O fato é que a “Família 19” acabou, o PTN acabou (dando lugar ao atual Podemos), e a mudança de Correia para o 17 (PSL) não foi boa, porque o partido o rejeitou, ficando relegado ao ostracismo, fechando o breve ciclo correísta, se é que existiu.

O momento atual em Bonfim é de ascensão da “jacuzada” (candistas) que está numa fase tão boa que até o antigo grande líder e criador dos “carcarás” (miguelistas), o ex-Prefeito e ex-Deputado Estadual Miguel Abrahão virou “Jacú” agora na campanha que elegeu Laércio Júnior prefeito de Senhor do Bonfim, do DEM.

É assim, o CICLO EXISTENCIAL HUMANO E DAS ATIVIDADES HUMANAS e também das coisas, dos animais e dos vegetais: nasce, cresce, reproduz e morre, voltando a começar algum tempo depois, um novo ciclo.

Por: Josemar Santana é jornalista e advogado, especializado em Direito Público, Direito Eleitoral, Direito Criminal, Procuradoria Jurídica, integrante do Escritório Santana Advocacia, com unidades em Senhor do Bonfim (Ba) e Salvador (Ba). Site: www.santanaadv.com / E-mail: josemarsantana@santanaadv.com

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