Organizar a produção e comercialização da atividade produtiva da caprinovinocultura para agregar valor, aproveitando oportunidades e os recursos disponíveis é o objetivo do II Seminário Interterritorial de Caprinovinocultura realizado, de forma presencial, nos dias 23 e 24 de março, em Juazeiro. O Seminário contou com a participação de produtores/as de caprinos e ovinos, técnicos, estudantes, comerciantes, representantes de entidades e organizações, e representantes de alguns municípios que compõem os territórios Sertão do São Francisco, Sisal e Piemonte Norte do Itapicuru.

O evento dá continuidade a um conjunto de ações, políticas públicas e projetos, reafirmando parcerias e construindo estratégias com foco no planejamento da produção e comercialização organizada, com preço justo, temas fundamentais para os/as produtores/as da região que concentra o maior rebanho de caprinos e ovinos do país. Por isso, um dos intuitos do Seminário foi aproximar os produtores/as dos frigoríficos e abatedouros, de modo a criar diálogos que contribuam com a comercialização dessa produção animal no Semiárido.

“Esse conjunto de ações fortalece a Convivência com o Semiárido, que se dá, principalmente, pela criação de animais adaptados, que são os caprinos e ovinos; fortalece as comunidades tradicionais de Fundo e Fecho de Pasto, fortalece a alimentação das famílias e a renda”, ressalta o colaborador do Irpaa, Clérison Belém.

Reconhecendo a relevância desta discussão, cerca de 80 agricultores/as de caprinos e ovinos de diferentes municípios participaram do Seminário, uma vez que, são os protagonistas deste processo. A produtora de caprinos e ovinos, Ruiza Maria de Deus, da comunidade Lagoa do Boi, em Juazeiro, fala porque decidiu participar do evento e da importância das políticas públicas para os/as agricultores/as familiares. “Esses encontros são muito importantes, pois é um espaço de cobrança para que a comunidade também seja vista, a gente costuma dizer que quem não é visto, não é lembrado (…) Quando a gente faz esses debates, a intenção é que nossas propostas sejam ouvidas (…) tem várias políticas públicas que vão melhorar a vida, como já tem melhorado em 80% com o Pró-Semiárido e o Bahia Produtiva”, destaca Ruiza.
Em relação à comercialização para fortalecer a caprinovinocultura na região, o produtor de ovinos, Marcos Gonçalves, do distrito de Massaroca, em Juazeiro, fala sobre a experiência ao vender sua produção à Central da Caatinga. “A gente produzia, e só vendia no mercado local, hoje a gente pode mandar o nosso produto para outros mercados, isso tem agregado valores, assim podemos investir na nossa propriedade. A gente pode produzir mais, porque a gente sabe que tem como vender bem e ganhar melhor”, pontua o produtor.

Nesse sentido, o presidente da Central da Caatinga, Adilson Ribeiro, ressalta sobre como a comercialização justa fortalece a caprinovinocultura, e qual o papel da Central da Caatinga neste processo. “A gente precisa garantir pelo menos um preço que seja justo para o produtor. Produzir com qualidade, dentro da lógica do comércio justo e do agroecológico também. O comprador precisa compreender que o produto precisa ter um valor agregado por conta da importância que tem”. Nesse sentido, a Central da Caatinga, faz um trabalho de base, com “Estratégia de aproximação do produtor com a Central, e da Central com os possíveis abatedouros para a comercialização, e que essa comercialização se dê a partir da organização”, explica Adilson.

Para debater acerca da produção e comercialização, além dos painéis que abordaram esses temas necessários à caprinovinocultura, e o espaço de escuta aberto aos participantes, foi construído um documento, de forma coletiva, com proposições focadas na produção (carne e leite); comercialização; e ATER, crédito e políticas públicas. Foram elaboradas propostas como: fomentar estruturas, água e produção de alimento sustentável para melhorar o rebanho; valorizar e criar a marca e mercado para o bode da caatinga e descentralizar o abate de forma distrital; e promover assessoria técnica apropriada e continuada ao bioma caatinga, valorizando os jovens e a criação de caprinos e ovinos.

A respeito do documento construído, Clérison Belém frisa a sua necessidade diante o cenário político atual “Ele tem uma grande importância nesse momento, devido o ano de eleições, pois essas propostas precisam chegar aos/as candidatos/as que acreditam na agricultura familiar e na caprinovinocultura para que sejam pauta na campanha, pauta de políticas públicas. Para que sejam prioridades nos recursos públicos e que de fato aconteça. O debate precisa ser registrado, mas o registro precisa sair do papel”.

Dessa forma, o diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), órgão ligado à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), Wilson Dias, falou sobre o papel da CAR para fortalecer a caprinovinocultura. “Na medida em que, é a principal e a cadeia produtiva que mais impacta na vida dos agricultores/as, porque é ali que está o seu principal sustento, a nossa ação tem que estar voltada para essas famílias que tem nesses criatórios a sua principal fonte de renda e é através dela, que ao dinamizá-la, nós temos a oportunidade de melhorar o rendimento e resultados. Para assim, dar melhor condição de vida para o homem e a mulher do campo, pois tem criatórios adaptados ao clima seco e que tem uma excelente Convivência com o Semiárido, o que nós todos desejamos”.

O II Seminário Interterritorial de Caprinovinocultura foi realizado pela Central da Caatinga em parceria com o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa) com apoio do Pró-Semiárido, executado pela CAR, mediante acordo de empréstimo entre o Governo da Bahia e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida).

Fonte/Foto: Eixo Educação e Comunicação do Irpaa

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