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Após pedir recuperação judicial alegando mais de R$ 40 bilhões em dívidas, a Americanas (AMER3) foi excluída de 14 índices do mercado financeiro, inclusive do Índice Ibovespa. A empresa ainda passa por investigações na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) sobre suposta fraude contábil, depois que revelou inconsistência de R$ 20 bilhões.

De acordo com a B3, a efetiva retirada da empresa ocorrerá ao fim do pregão desta sexta-feira (20). E a participação da companhia nos índices será redistribuída proporcionalmente entre os outros integrantes das carteiras, com o “pertinente reajuste nos redutores” dos índices.

Dentre os índices dos quais a Americanas é retirada está o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), que é um dos mais respeitados do mercado, englobando organizações com alto padrão de governança corporativa.

Americanas oficializa pedido de recuperação judicial
Após rombo bilionário comunicado no último dia (11) e revezes para bancos credores, a Americanas (AMER3) entrou com pedido de recuperação judicial. A empresa confirmou que que a dívida da companhia passa dos R$ 40 bilhões e impacta 16,3 mil credores.

O pedido foi protocolado no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e a companhia informa que segue operando normalmente “dentro das novas regras de recuperação judicial” e tem como principais objetivos “manutenção de empregos, pagamento de impostos e a boa relação com seus fornecedores e credores e investidores de forma geral”.

“Buscou-se o ajuizamento da tutela cautelar de caráter antecedente, a fim de evitar danos irreversíveis ao seu caixa, que é essencial, passo o truísmo [obviedade], para o funcionamento de uma grande empresa do setor varejista”, diz a Americanas em comunicado.

Americanas derrete mais 20% após novo Fato Relevante
As ações da Americanas (AMER3) derreteu mais 20% na manhã desta quinta-feira (19), chegando a ser cotado pelo mínimo de R$ 1,31. Em novo Fato Relevante, a companhia admite entrar com processo de Recuperação Judicial.

Essa situação decorre do anúncio de que o caixa disponível da companhia foi reduzido para R$ 800 milhões. Uma queda importante em relação ao que foi divulgado no último trimestre, R$ 8,6 bilhões (3T22). O que significa que o valor disponível no caixa da companhia derreteu praticamente 90%.

Segundo análise da XP, assinado head de Varejo da XP, Danni Eiger, e os analistas de Varejo da XP, Gustavo Senday e Thiago Suedt, essa queda está relacionada à decisão liminar do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro que permitiu que os credores revessem linhas de crédito ou retesem os depósitos da companhia.

A XP observa ainda que essa posição de caixa é equivalente a aproximadamente 4 meses ou 5 meses de despesas com pessoal e, por isso, pode acelerar a decisão da companhia de protocolar um pedido Recuperação Judicial.

“De acordo com a companhia, ela poderia optar pela RJ nas próximas horas ou dias. Se isso ocorrer, trazemos no relatório os próximos passos esperados. Mantemos nossa recomendação sob revisão”, finaliza a análise.

BTG Pactual consegue liminar
O BTG Pactual (BPAC11) obteve liminar atendendo sua petição de bloqueio de R$ 1,2 bilhão da Americanas (AMER3). A decisão foi assinada pela desembargadora Leila Santos Lopes, da 15ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).

Na prática, a liminar retira os efeitos da decisão da 4ª Vara Empresarial da Capital que deferiu pedido da Americanas para que qualquer bloqueio ou arresto de bens e o pagamento de dívidas não fossem aplicados até que o processo de recuperação judicial seja apresentado.

O BTG Pactual é um dos bancos que tem créditos com a Americanas. Segundo levantamento do jornal Valor Econômico, outros bancos também estão atentos ao fato.

O Bradesco, por exemplo, possui R$ 4,8 bilhões em créditos à varejista, enquanto Santander (R$ 3,7 bilhões), e Itaú (R$ 3,4 bilhões) são outros bancos na mesma situação, mas existem outros mais.

Petição no TJRJ
No agravo de instrumento apresentado ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) contra a decisão do Juízo da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital, que aceitou pedido da Americanas para suspender vencimentos antecipados e efeitos de inadimplência, o BTG faz duros ataques aos acionistas de referência da empresa e contesta a iniciativa de tentar suspender o pagamento de dívidas. “É o fraudador pedindo às barras da Justiça proteção ‘contra’ a sua própria fraude”, diz o documento. O plantão judiciário do TJRJ negou o recurso.

O instrumento, de 38 páginas, critica a Americanas por pedir não apenas a suspensão da exigibilidade de obrigações e o congelamento de vencimentos antecipados, mas também os que já foram feitos, para que fossem “desfeitos”, com a devolução de mais de R$ 1,2 bilhão que o BTG tinha recebido, que representa apenas uma fração do crédito em aberto.

No documento, os advogados discorrem sobre a trajetória do “trio por trás do controle da empresa”, Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, descrevendo a atuação deles em outras companhias nas últimas décadas. Relacionam ainda os contratos realizados entre o BTG e a Americanas e destacam a tentativa de retirada de R$ 800 milhões em investimentos do banco, horas antes da divulgação do fato relevante do dia 11 “de maneira sorrateira”, o que mostra, segundo a instituição, “a má-fé do Grupo Americanas”.

Correio 24h
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